3 Months Later…

Posted in Lifetime Experience on December 2, 2009 by martasousamonteiro

E de repente tudo passou.

Tudo ficou para trás mas de alguma forma tao presente ainda nos meus dias de hoje.

De momento a minha vida deu uma volta de 180º …

Estou a estagiar na Microsoft, na área do Empreendedorismo e Inovação, feliz com o que faço e com tudo o que estou a aprender diariamente, super satisfeita com o chefe que tive a sorte de me calhar (uma pessoa impressionante e especial) e ansiosa para saber o que será do meu futuro…

O Futuro. Parece dificil eu deixar de uma vez por todas de pensar no futuro e passar a ver apenas o dia de hoje como o dia mais importante da minha vida.

A Índia ensinou-me muito… Cada pessoa, cada local, cada experiência (boa e má), cada sentimento… tudo ficou no meu coração e pensamento. E é raro o dia que passo sem ter vontade de voltar para a Marta que lá fui, para a pessoa que lá consegui encontrar em mim… Para a pessoa que vi ser muito mais forte do que alguma vez pensei ser.

Obrigada Vida, por esta oportunidade. Por me dares a possibilidade todos os dias de poder escolher entre o Preto ou o Branco… E obrigada por me teres feito numa pessoa que prefere por vezes seguir o caminho mais negro, para chegar ao branco mais cintilante.

Quero agradecer a todas as pessoas que se dirijiram a mim na rua, internet, amigos de amigos, para me agradecerem pelas minhas palavras, pelos meus posts…por tudo aquilo que lhes consegui passar através dos meus textos extensos mas pelos vistos enriquecedores.

Obrigada eu. Obrigada por me terem lido, por me terem acompanhado…Obrigada por terem aceitado experimentar por instantes os meus “óculos de ver” e terem pensado também vocês em darem uma “espreitadela” naquela rua da vossa vida na qual nunca antes tinham pensado virar.

Obrigada Mundo Universitário por terem juntamente comigo “oferecido” um “par de óculos” a tantos outros jovens da minha idade, ao me darem a oportunidade de publicar no vosso jornal online semanalmente.

A minha aventura nao fica por aqui.

Ainda muito estará por vir… E a responsabilidade social continua dentro de mim como sendo a forma como hei-de querer um dia terminar a minha vida. Dando a mão ao outro… E espero em breve, poder dar mais um passo nesse sentido.

Entretanto o meu blog novo é www.onecompassionateworld.wordpress.com no qual pretendo começar a escrever mais regularmente.

O meu e-mail é marta.sousamonteiro@gmail.com , fiquem à vontade para me escrever e me adicionar para chat :)

Para aqueles que ficaram curiosos do Pradeep…Infelizmente saí de Jaipur sem conseguir ajudá-lo da forma que queria. Visto os pais dele nao manterem contacto com  a ONG, nao podiam deixar-me ser responsavel pelo estudo dele… Porque apenas com a autorizaçao deles e com muitos meses de espera por papeladas é que alguma vez isos seria possivel. E a conta no banco que tanto queria abrir para ele…impossivel. Avisaram-me logo que provavelmente alguma outra pessoa iria tomar posse dessa conta e que eu estaria mensalmente a enviar $ para alguem que nao o Pradeep.

Triste, mas a realidade de um país que ao contrário do nosso, ainda tem muito por lutar e muitos direitos humanos por ver concretizados e respeitados.

Mas estou de momento a tentar contactar com a ONG para saber mais sobre ele… Quando tiver novidades Postarei aqui :)

A única coisa que quero por fim dizer?…

Apenas uma.

QUERO VOLTAR.

Obrigada*

Posted in Lifetime Experience on September 10, 2009 by martasousamonteiro

“Não pode haver nenhuma paz interior sem o verdadeiro conhecimento “.

Mahatma Gandhi

Posted in Lifetime Experience on September 1, 2009 by martasousamonteiro

Two Wrongs

Posted in Uncategorized on August 19, 2009 by martasousamonteiro

‘Perderei a minha utilidade no dia em que abafar a voz da consciência em mim’.

Mahatma Gandhi

Posted in Uncategorized on August 15, 2009 by martasousamonteiro

my way

My Way

Posted in Lifetime Experience on August 15, 2009 by martasousamonteiro

Nunca mais tive vontade de parar um segundo para escrever num papel tudo o que diariamente estou a viver.

Esta é a verdade.

Precisei de me desligar um pouco da internet, dos e-mails, de Portugal, das pessoas, de tentar passar tudo o que estou a viver para o lado oposto do Mundo…

Falta pouco mais de uma semana para voltar para a minha realidade. Para a minha vida em Portugal. Cada vez me questiono mais se é mesmo isso que quero fazer… Se quero mesmo voltar para a vida normal que tenho levado até hoje. Trabalhar, estudar, subir para ser alguém na vida…

Cada um de nós procura e às vezes encontra o seu sentido na vida. Durante esta viagem percebi que a Marta não é o tipo de pessoa que se define pelo trabalho que tem, pelos cursos e mestrados que tira, pelos sítios que frequenta.

A Marta é e sempre foi mais do que isso… E só agora estou a conhecer tão profundamente a Marta. E a deixar de tentar ser algo que não sou.

Tenho medo sim, de largar todas as ideias e planos formatados até agora…Tenho medo sim de não ir trabalhar para uma grande empresa de renome e ganhar bem tal como sempre ambicionei até hoje, para poder ser uma jovem com sucesso.

Dessa forma…eu nunca irei funcionar a todo o gás. Preciso de mais que isso…Preciso dum sentido para os meus dias. Preciso de uma boa razão para conseguir estar fechada num escritório 8 horas por dia, seguido de uma ida para o Mestrado.

Se vou mudar? É algo que só vou descobrir após esta viagem…

Talvez volte a fracassar, talvez não.

Terei eu coragem de deixar de ter medo, e enfrentar a vida com o pouco que tenho nas mãos?

Começar por baixo. Não tenho necessariamente de ir para o departamento de Marketing da super mega empresa xpto criar formas dos outros se tornarem cada vez mais virados para si próprios.

E os outros?

É isso. Os outros. É isso que EU sou…EU, sou PESSOAS.

Digo-vos muito sinceramente, acreditem ou não… Eu não sei viver sem pessoas. Não tenho mais vergonha de dizer que não sei viver sozinha. Nem o quero. Quero partilhar a minha vida com todos…

Por isso vou dedicá-la a isso. Sou quem sou, não tenho jeito para processos e para estar presa a um monitor de um computador um dia inteiro. Respeito e admiro tanto quem tem…Mas eu não tenho.

Tenho outras coisas… Preciso de enfiar as minhas mãos na terra, sujá-las, para elas se tornarem mais fortes e conseguirem fazer mais a cada dia que passa. Preciso de motivar pessoas, preciso de fazer uma equipa acreditar que o impossível é possível, preciso de meter pessoas a fazerem algo pelos outros, e sentirem que é mil vezes melhor do que fazer algo por elas próprias…porque ao fazerem algo pelos outros, recebem sempre a dobrar em paz de espírito…

Vou arriscar tentar encontrar algo para mim na área da Responsabilidade Social.

O departamento de responsabilidade social de uma empresa grande, pequena, média, o que for! Uma empresa que seja sensível a estas questões e que queira sensibilizar os seus funcionários para alguns factos, ou que queira passar a contribuir com algum do seu lucro para pessoas e organizações em todo o Mundo que precisam e utilizam mesmo esta ajuda…!

Tudo isto junto com a minha capacidade em organização de eventos, criatividade, marketing, capacidades de comunicação…

Marketing Social.

Sim… Faz-me Sentido!

Obrigada Vida. Por esta experiência.

O meu coração já está a doer…

Quero tanto ir para aí… Mas quero tanto ficar.

Obrigada!

(E desculpem-me o tom de desabafo. I just had to shout it to the World )

my way

Coluna no Mundo Universitario

Posted in Uncategorized on July 28, 2009 by martasousamonteiro

E verdade… noticia inesperada!

Estou a escrever uma coluna para o jornal Mundo Universitario!

Sinto me realmente abencoada por saber que vou conseguir levar mais estudantes a darem este passo nas suas vidas!

Visitem o site! (se procurarem no Google aparece logo!)

:D

Amanha actualizo o Blog!

JKSMS – A minha ONG

Posted in Lifetime Experience on July 22, 2009 by martasousamonteiro

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O trabalho na ONG finalmente já se iniciou!

Vai ser um projecto longo e árduo…

Vamos começar por visitar as favelas em grupo e a fazer relatórios sobre os mesmos.

De seguida iremos ficar cada um responsavel por fazer um case study de 3 a 4 crianças. Teremos que analisar as suas condições de vida ao máximo, conhecê-las no seu extremo e perceber no que podem evoluir.

Estes case studies serão apresentados numa exibição organizada pela AIESEC onde estarão presentes várias empresas que irão passar a financiar estas mesmas crianças.

Ofereci-me também para fazer um relatório que irá ser apresentado na exibição sobre o Teatro para as crianças das favelas. Um projecto que já está a ser implementado à 10 anos e que precisa também de mais financiamento.

O dia de hoje foi intenso…nem estou com muitas palavras para explicar.

Deixo aquí o meu primeiro report que irei entregar amanha à ONG.

Beijinhos a todos e muito obrigada do fundo do meu coração por todos os comments…nem imaginam a força que me dão…não imaginam mesmo!!!

Visit to Slum Group 1

22nd July 2009

Intern: Marta Monteiro

Project: “Creations”

Jaipur, India

 

It was impressive to get face to face with the idea I had about what was a slum. It is definitely completely different to see it behind screens and personally. I consider it a lifetime experience and an essential moment that anyone should pass through.

I had the pleasure of visiting two slums during today: VT Road Slum and Chokhi Dhani.

Both of them were filled with shelters in shape of tents, where people live. The materials used to build these tents were sticks that held up some big plastic bags that covered the house, along with some cotton materials and anything suitable for avoiding the rain to get in. Of course these are impossible conditions to survive and life in and after speaking to the locals I got the information that whenever it rains their tents stay soaked in water and there isn’t anything they can do about it.

In VT Road specifically I felt quite shocked about the conditions those people live in. Nevertheless, there are people living there for the last 35 years. Born and raised on that place. Right beside a large road, cars pass only a few meters from their tents, infested with mosquitoes, flies, and flees all around, making it difficult to stay longer than a few minutes speaking to the locals. I had the pleasure to meet a family that has been living in this slum for the past 10 years and who don’t have a future plan to improving the conditions they live in.

Food is sometimes taken to them by individuals but besides that they get no food for the family. Children are sometimes fed at the local school.

The family members work mainly on labor work, like for example sweeping streets and their daily gaining is around 50 rupees out of which none is saved up. They use it all on food and necessary first class needs. There is no potable water, no electricity, and they don’t have a bathroom. In the families’ opinion their hygiene is good and regular.

One thing I acknowledged is that it is very important to analyze this situation in a critical way, not letting myself getting drawn into everything the locals are informing me about. These individuals live in very poor conditions but still think their hygiene is well done. They can nearly make us think that the conditions aren’t that bad…but the truth is these people have not seen anything else during their lives besides the low conditions they live in. I understood in their words that they don’t have much of an idea of how different this world is and how many opportunities there are in the world, for some people. They are truly conformed to their life and reality and don’t see a brighter future either to them or to any of the several children standing around them.

After meeting this family I finally met the local school that teaches around 20 to 25 children aged between 2 to 10 years old. It is a small hut, built by straws will nothing more than a cloth on the floor and some books offered to them by JKSMS.

The main teacher was sick so there was a substitute teacher, named Snehalata, who says that her motivation to work with these children is the hope she has on their future. The main preoccupation is that they get into a private school and this way, get more motivated about learning and growing professionally in life.

The subjects they learn at this school are Hindi, English and Mathematics.

Regarding medical assistance, there is a doctor who passes by everyday during morning or afternoon and takes care of anyone in need.

In Snehalata’s opinion the main needs for the school is pens, boards, books and food.

Later on at the Chocki Dhani slum, the conditions were a little different.

It was a big area, all made out of dust and the tents were quite alike to the VT Roads ones. It was quite cleaner though.

The school was a small hut also made out of straws and it teaches around 60 children a day, 30 in the morning, 30 in the afternoon. This school had a small table for children to sit and work, an improvised black board, some big boxes to keep food and materials and a bed where a small baby was sleeping.

The teacher was named Kum Kum and had a particularity. She motivates each child to have a bank account at the bank institution created by JKSMS only for children in need. Each child has a bank account and deposits all their savings there. This way they will probably one day have enough money to get into a private school and continue studies.

In this school I felt a more pacific environment. Children were working on their writing exercises and somehow weren’t as happy to see us as the one’s at VT Road.

The subjects they study and Hindi, English, Mathematics and Environmental issues.

Regarding medical facilities, this school benefits from a partnership done between JKSMS and MDM France. They receive frequent help from doctors and all the needed vaccinations are provided to them freely.

I insisted in speaking to one of the girls named Manbhar. She told me she was around 10 years old, lives with her parents and has the privilege of not having to work. Only her mother and older sister work. Her father is currently sick and cannot work. She has 7 more brothers and sisters and does not have an idea of what she sees herself doing in the future.

I noticed she doesn’t know what different jobs there are, like for example the difference between a doctor, a teacher, etc.  She does really not have any type of preference on to what she would like to grow up to do due to the lack of knowledge gained throughout her life.

She only eats twice a day, at lunch and dinner time, and not in big portions.

The problem is these children, as well as in the adults, is that they don’t have a minimum idea of what a different future is. They live each day, one after the other, and just hoping to have enough food to survive and feed their children.

It is truly exasperating and frustrating to see big luxurious buildings being built around these slums when what these families need most is a decent shelter, a humanly place to live in, food to survive and people that believe in them and teach them the importance of using money on the right things and about the different opportunities they can get in life.

Today I am sure that in this place called World, there are many worlds.

When I was face to face with those people I felt like I was in a different world of theirs, like inside an unbreakable bubble.

I have hope in these people. I truly want to get out of my unbreakable bubble, my “civilized” world, and try to help these individuals, alerting others like me about the reality of other people’s world. About everything that is happening at the same instant we live in, but that just pass us by.

This was my first experience, and this is what I got out of it.

Last words:  Thank You for the opportunity. I’m enlightened.

So different, So alike

Posted in Lifetime Experience on July 21, 2009 by martasousamonteiro

India (901)

The Power of the Rain

Posted in Lifetime Experience on July 18, 2009 by martasousamonteiro

Na India aprende-se a viver um dia de cada vez.

A ultima semana foi preenchida por situações e momentos que acabo sem querer por não conseguir por em papel.

Torna-se complicado viver tanta coisa ao mesmo tempo e tentar passar a mensagem para esse lado. Este é outro mundo, outro planeta, outra vida, que não a que levo em Lisboa.

Passámos dois dias em Agra, terra do Taj Mahal…querem saber a melhor? Não vi o Taj Mahal! Eu, a Catarina e o Bruno metemo-nos numa aventura que talvez seja melhor partilhar convosco noutra pessoalmente e o tempo passou sem que conseguíssemos lá chegar a horas. As monções entretanto chegaram, o que também não facilitou a nossa ida e acompanhado por um riquexó a pedais que é bastante lento! E uma visita a um sitio especial…onde a aventura decorreu :P

Visitei o Forte de Agra…Lindissimo!!! De lá vi o Taj Mahal ao longe… Mas não se preocupem :P Volto a Agra em breve com o resto das pessoas que ainda não viram e tenho a certeza de que vai saber bem melhor. Para dizer a verdade nem estava com muita vontade de ter o Taj Mahal como uma das minhas primeiras experiencias ao chegar à India. Isso parece-me demasiadamente “turista” e ando a tentar fugir um bocado do espírito turista. Quero viver em comunidade com estas pessoas…sendo simplesmente mais uma delas, com coisas boas e más.

Entretanto já temos a nossa casa…se é que posso chamar ao piso com mais ou menos 6 quartos, sem sala e com uma “cozinha” que é feita em pedra toda cinzenta e que tem simplesmente um pequeno fogão, de casa :P A vista é simplesmente fantástica… Fantástica não no sentido de ser  bonita mas pelo facto de ser totalmente a realidade indiana. De minha casa vejo prédios cinzentos cercados por lixo, vacas a passear, lojas com as mais bonitas jóias que alguma vez vi, pessoas a viver em cima de telhados, cães que foram parar ao cimo de prédios não sei bem como e que passam lá dia e noite…uma outra realidade. Mas olhando para o céu no fim de tarde vejo uma luz cor-de-rosa forte… que dá uma iluminação especial a estas ruas… E no meio deste por do sol ouço um homem muçulmano a cantar através de umas colunas que cercam toda a cidade… e nesses momentos paro e sinto.

Tenho tentado personalizar o meu quarto, pô-lo mais “parecido comigo”. Sinto-me já em casa. Comprei algumas coisinhas típicas para decorar, pus fotos de alguns amigos importantes e que me inspiram, incenso e não deixo ninguém la entrar com sapatos :P Forma fácil de sujar menos (e acreditem que aqui tudo se suja com facilidade a mais) e de não trazer nada lá de fora para dentro do meu espaço sem ser boa disposição e tranquilidade.

Na viagem de Agra para Jaipur pus os meus phones e vim o tempo todo a olhar pela janela…a observar a realidade na qual estou agora… não demorou até ter a cara encharcada em lágrimas… Ouvir musica e olhar para esta realidade posso-vos dizer que é algo único. Foi dos momentos mais intensos e de mais limpeza e “mente aberta” que tive na minha vida. Senti tudo de forma tão clara e apercebi-me de tanta coisa naquele momento.

As lágrimas que me caíram não foram de tristeza de forma alguma…foram sim de agradecimento. Sinto-me abençoada por poder estar a viver esta viagem na minha vida… por estar a conseguir aproximar-me cada vez mais da verdade inevitável daquilo que gostava realmente de fazer na vida. Daquilo que no dia em que estiver a morrer poderei dizer “Bolas, fui feliz com as acções que tomei ao longo da minha vida!”.

Amar o Mundo é simplesmente a melhor sensação que uma pessoa ter. Amá-lo como ele é…não tentar torná-lo todo igual e desenvolvido e com pessoas inteligente que regem o Mundo com leis implementadas para podermos viver melhor, mas simplesmente aceitar cada comunidade como ela é. Nós não vivemos em países ou continentes diferentes…nós vivemos em Mundos diferentes. MUNDOS OPOSTOS.

Outro momento alucinante foi quando o Juma me disse que estava em Nova Iorque a passar o fim de semana… ao trocarmos experiencias por telefone riamos que nem uns perdidos…mas que mundos diferentes… Mas que dois mundos lindos. E agora percebo ainda melhor a minha desde sempre e para sempre paixão por NYC… aquela cidade é o mundo num sítio só. E de alguma forma é uma pequena amostra da Índia. Obrigada Juma por me fazeres recordar de alguns sonhos ainda não perdidos…

As pessoas na Índia sorriem. Sorriem muito…

Na última semana aprendi muito sobre a cultura e sobre a forma como tudo é feito por aqui. Por exemplo, apercebemo-nos que os homens que nos levam nos riquexós e que simpaticamente nos perguntam “querem que pare ali numa loja muito bonita de têxteis” ou de joalharia, ou restaurantes, ou o que quer que seja, ganham comissão nesses sítios. Claro que inicialmente caímos que nem uns parvos…depois apercebemo-nos da realidade e tivemos a nossa fase de irritação e em que já não confiávamos nem um bocadinho em ninguém. Aquí finalmente percebi que nem toda a gente é boazinha, por mais boazinha que pareça. Agora já estamos conformados e óptimos…já negociamos facilmente, falamos a mesma língua e acabamos por conseguir passar momentos maravilhosos com esses condutores de riquexós que nos levam a conhecer sítios refundidos e não turísticos em Jaipur.

Por falar em experiências, CONDUZI UM RIQUEXÓ!!! Uma adrenalina única…no meio deste trânsito!

No outro dia conhecemos um senhor chamado Raj, condutor de um riquexó…inicialmente julgámos o senhor por ser mais um indiano que nos diz 10 minutos e demora 1 hora. Sim…o tempo na Índia passa MUITO mais devagar…quando um indiano diz 10 minutos ele quer quase sempre dizer 1 hora… Já tenho muitas horas de espera em cima. Mas é bom…tenho trabalhado a minha paciência, a minha capacidade de viver cada minuto sem stress. O que tiver de vir, virá.

E foi assim que uma maravilhosa tarde veio até nós… Começámos por visitar o Palácio da Àgua… Lindissimo! De seguida fomos até uma fábrica têxtil onde nos mostraram os trabalhos mais bonitos que alguma vez vi na minha vida… (ando a ficar fascinada com elefantes e imagens de elefantes). Tapetes lindíssimos, almofadas, roupas, lencois, malas…tudo coisas lindas…feitas à mão. Em cada peça vê-se algo único. Como se fosse algo feito À nossa medida.

Tivemos também oportunidade de passar numa fábrica de jóias… Uma casa familiar, aparentemente pobre por fora mas com uma das salas mais luxuosas em que já entrei na minha vida, por dentro. Diamantes, pedras, pratas, ouro…tudo numa sala lindíssima em tons de branco pérola e castanho suave… E onde tive a oportunidade de conhecer o senhor que irá fazer um Ganesh à minha medida. Esteve-me a explicar o sentido do Ganesh… excelente para termos connosco sempre que decidimos entrar numa nova fase da nossa vida. O meu Ganesh será feito de Rosa Quartz e pintado à mão… Estou ansiosa por ir buscá-lo.

Tenho ganho um grande interesse por joalharia e começo mesmo a pensar investir mais no conhecimento desta área.

Tem sido engraçado bastantes pessoas se dirigirem a mim e dizerem que sou idêntica a uma estrela de Bollywood chamada Kriti Reddy. Elogiam-me pelo meu aspecto indiano e o filho desse mesmo senhor da fábrica de jóias disse que eu era uma “Princesa Indiana abençoada pelas pedras”… eheh devem-se estar a rir desse lado… é estranha a forma como as pessoas cá se baseiam em coisas tão mais básicas como as pedras, a energia, o poder do sol, da chuva e da lua, para conseguirem encontrar formas de se expressarem…

Mas a mim começa-me a fazer muito mais sentido esta maneira de encarar as coisas do que como até hoje vivi. Sinto-me realmente aqui…a minha cabeça está aqui, a minha alma está aqui, estou totalmente entregue a cada experiência de cada dia e estou a sentir tudo da forma como as pessoas aqui sentem…

Apercebo-me agora do quão importante foi a preparação que fiz antes de vir para cá. Começar a desligar-me um pouco de coisas materiais, evitar comprar coisinhas desnecessárias, falar muito com pessoas sobre experiências diferentes, descobrir mais da Índia e de outros países do Mundo… Agora integrei-me muito mais facilmente.

Tivemos alguns problemas com algumas pessoas do grupo que não se estavam a conseguir adaptar…mas parece que finalmente a poeira assentou e estamos todos a caminhar para a frente. Tornou-se de alguma forma tão difícil para mim compreender o porquê destas pessoas não se estarem a conseguir adaptar…Mas agora percebo que cada um de nós vem aqui para conseguir lutar e ganhar forças em diferentes pontos pessoais.

Continuando com a história…Entre a fábrica têxtil e a fábrica de joalharia vivi um dos momentos mais intensos até agora…se não o MAIS intenso…

Ao sair da fábrica têxtil ouvi vindo da casa do lado uma música indiana..um senhor a cantar…senti um tipo de empurrão e uma vozinha a dizer “entra entra entra”… Tive para entrar umas 3 ou 4 vezes mas sem coragem… até que sugeri ao Bruno que viesse comigo…

Entrámos por um portão grande…lá dentro encontrámos um páteo com um pequeno templo no meio…e pessoas sentadas no chão desse páteo,todas a conviver, a cantar, a comerem… a olharem para nós e a cumprimentarem-nos com um “Namasté” e um baixar de cabeça convidando-nos para entrar… Sentia mesmo uma energia a empurrar-me para dentro daquele sítio… andámos até ao fim do páteo onde encontramos um outro pequeno templo, entrámos e convidaram-nos a sentir…mulheres lindíssimas, todas vestidas com cores lindas (uma das grandes características da India são as cores… cores lindas por todo o lado, que iluminam toda a sujidade e pó que fazem parte desta realidade). Com um grande sorriso, convidaram-nos a sentar… começaram a trazer comida para provarmos! Tão boaaaa! Provei das melhores coisas que alguma vez tinha provado até hoje. Um sabor único…caseiro… saboroso! Perguntei o que era aquela festa e se não havia problema de estarmos ali…disseram que era a celebração de uma deusa e que aquilo era tudo uma grande família! Uma família gigante não tem noção… pais, avós, filhos, netos, primos… e receberam-nos tão bem! Tivemos realmente sentados e a viver o momento com a comunidade indiana, a comer a comida deles, a conversar, a tentar saber um pouco mais sobre os seus deuses e os seus costumes…

Passado um bocado já estava todo o nosso grupo na festa indiana e ainda nos convidaram para passarmos lá na próxima Segunda-Feira outravez! O Raj conseguiu-nos proporcionar uma experiência única naquela tarde, esperando por nós em cada sítio onde íamos e explicando-nos um pouco de tudo. É  excelente criar ligação com pessoas locais e perceber um pouco mais do “seu mundo”.

Visitámos também o Templo do Sol e o Templo dos Macacos! Nunca tinha visto tanto macaco junto! Macacos, cobras, ovelhas, camelos! Tudo num sítio só e à solta (menos as cobras que estavam guardadas pelos Encantadores de Cobras)!

No cimo do Templo dos Macacos está o Templo do Sol…uma vista linda sobre Jaipur. Vou tentar anexar foto a este post!

As monções entretanto também já se iniciaram… os indianos vêem a chuva como uma benção para limpar o passado.

Enfim…momentos únicos difíceis de explicar.

Relativamente ao trabalho, apenas na Segunda-Feira, dia 20 é que iniciarei o trabalho mesmo na ONG. Até agora surgiram alguns problemas e a ONG só esta disponível para nos receber a partir dessa data. Contudo, tenho-me mantido ocupada! A Taxila Business School, escola de negócios que está a apoiar financeiramente o nosso projecto, ofereceu-nos um Workshop com diploma no final sobre o comércio e o marketing na India. Obviamente aceitei para me ir mantendo ocupada e tem sido uma boa aprendizagem! :D

Pois é…tantas coisas para vos dizer e tão difícil para transmitir.

Venham à India…

Olhem nos olhos destas pessoas e sintam esta energia.

É única.

Vou-vos mantendo a par desta minha viagem*

Liguem-me e mandem msgs para 00919672916038

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