Na India aprende-se a viver um dia de cada vez.
A ultima semana foi preenchida por situações e momentos que acabo sem querer por não conseguir por em papel.
Torna-se complicado viver tanta coisa ao mesmo tempo e tentar passar a mensagem para esse lado. Este é outro mundo, outro planeta, outra vida, que não a que levo em Lisboa.
Passámos dois dias em Agra, terra do Taj Mahal…querem saber a melhor? Não vi o Taj Mahal! Eu, a Catarina e o Bruno metemo-nos numa aventura que talvez seja melhor partilhar convosco noutra pessoalmente e o tempo passou sem que conseguíssemos lá chegar a horas. As monções entretanto chegaram, o que também não facilitou a nossa ida e acompanhado por um riquexó a pedais que é bastante lento! E uma visita a um sitio especial…onde a aventura decorreu
Visitei o Forte de Agra…Lindissimo!!! De lá vi o Taj Mahal ao longe… Mas não se preocupem
Volto a Agra em breve com o resto das pessoas que ainda não viram e tenho a certeza de que vai saber bem melhor. Para dizer a verdade nem estava com muita vontade de ter o Taj Mahal como uma das minhas primeiras experiencias ao chegar à India. Isso parece-me demasiadamente “turista” e ando a tentar fugir um bocado do espírito turista. Quero viver em comunidade com estas pessoas…sendo simplesmente mais uma delas, com coisas boas e más.
Entretanto já temos a nossa casa…se é que posso chamar ao piso com mais ou menos 6 quartos, sem sala e com uma “cozinha” que é feita em pedra toda cinzenta e que tem simplesmente um pequeno fogão, de casa
A vista é simplesmente fantástica… Fantástica não no sentido de ser bonita mas pelo facto de ser totalmente a realidade indiana. De minha casa vejo prédios cinzentos cercados por lixo, vacas a passear, lojas com as mais bonitas jóias que alguma vez vi, pessoas a viver em cima de telhados, cães que foram parar ao cimo de prédios não sei bem como e que passam lá dia e noite…uma outra realidade. Mas olhando para o céu no fim de tarde vejo uma luz cor-de-rosa forte… que dá uma iluminação especial a estas ruas… E no meio deste por do sol ouço um homem muçulmano a cantar através de umas colunas que cercam toda a cidade… e nesses momentos paro e sinto.
Tenho tentado personalizar o meu quarto, pô-lo mais “parecido comigo”. Sinto-me já em casa. Comprei algumas coisinhas típicas para decorar, pus fotos de alguns amigos importantes e que me inspiram, incenso e não deixo ninguém la entrar com sapatos
Forma fácil de sujar menos (e acreditem que aqui tudo se suja com facilidade a mais) e de não trazer nada lá de fora para dentro do meu espaço sem ser boa disposição e tranquilidade.
Na viagem de Agra para Jaipur pus os meus phones e vim o tempo todo a olhar pela janela…a observar a realidade na qual estou agora… não demorou até ter a cara encharcada em lágrimas… Ouvir musica e olhar para esta realidade posso-vos dizer que é algo único. Foi dos momentos mais intensos e de mais limpeza e “mente aberta” que tive na minha vida. Senti tudo de forma tão clara e apercebi-me de tanta coisa naquele momento.
As lágrimas que me caíram não foram de tristeza de forma alguma…foram sim de agradecimento. Sinto-me abençoada por poder estar a viver esta viagem na minha vida… por estar a conseguir aproximar-me cada vez mais da verdade inevitável daquilo que gostava realmente de fazer na vida. Daquilo que no dia em que estiver a morrer poderei dizer “Bolas, fui feliz com as acções que tomei ao longo da minha vida!”.
Amar o Mundo é simplesmente a melhor sensação que uma pessoa ter. Amá-lo como ele é…não tentar torná-lo todo igual e desenvolvido e com pessoas inteligente que regem o Mundo com leis implementadas para podermos viver melhor, mas simplesmente aceitar cada comunidade como ela é. Nós não vivemos em países ou continentes diferentes…nós vivemos em Mundos diferentes. MUNDOS OPOSTOS.
Outro momento alucinante foi quando o Juma me disse que estava em Nova Iorque a passar o fim de semana… ao trocarmos experiencias por telefone riamos que nem uns perdidos…mas que mundos diferentes… Mas que dois mundos lindos. E agora percebo ainda melhor a minha desde sempre e para sempre paixão por NYC… aquela cidade é o mundo num sítio só. E de alguma forma é uma pequena amostra da Índia. Obrigada Juma por me fazeres recordar de alguns sonhos ainda não perdidos…
As pessoas na Índia sorriem. Sorriem muito…
Na última semana aprendi muito sobre a cultura e sobre a forma como tudo é feito por aqui. Por exemplo, apercebemo-nos que os homens que nos levam nos riquexós e que simpaticamente nos perguntam “querem que pare ali numa loja muito bonita de têxteis” ou de joalharia, ou restaurantes, ou o que quer que seja, ganham comissão nesses sítios. Claro que inicialmente caímos que nem uns parvos…depois apercebemo-nos da realidade e tivemos a nossa fase de irritação e em que já não confiávamos nem um bocadinho em ninguém. Aquí finalmente percebi que nem toda a gente é boazinha, por mais boazinha que pareça. Agora já estamos conformados e óptimos…já negociamos facilmente, falamos a mesma língua e acabamos por conseguir passar momentos maravilhosos com esses condutores de riquexós que nos levam a conhecer sítios refundidos e não turísticos em Jaipur.
Por falar em experiências, CONDUZI UM RIQUEXÓ!!! Uma adrenalina única…no meio deste trânsito!
No outro dia conhecemos um senhor chamado Raj, condutor de um riquexó…inicialmente julgámos o senhor por ser mais um indiano que nos diz 10 minutos e demora 1 hora. Sim…o tempo na Índia passa MUITO mais devagar…quando um indiano diz 10 minutos ele quer quase sempre dizer 1 hora… Já tenho muitas horas de espera em cima. Mas é bom…tenho trabalhado a minha paciência, a minha capacidade de viver cada minuto sem stress. O que tiver de vir, virá.
E foi assim que uma maravilhosa tarde veio até nós… Começámos por visitar o Palácio da Àgua… Lindissimo! De seguida fomos até uma fábrica têxtil onde nos mostraram os trabalhos mais bonitos que alguma vez vi na minha vida… (ando a ficar fascinada com elefantes e imagens de elefantes). Tapetes lindíssimos, almofadas, roupas, lencois, malas…tudo coisas lindas…feitas à mão. Em cada peça vê-se algo único. Como se fosse algo feito À nossa medida.
Tivemos também oportunidade de passar numa fábrica de jóias… Uma casa familiar, aparentemente pobre por fora mas com uma das salas mais luxuosas em que já entrei na minha vida, por dentro. Diamantes, pedras, pratas, ouro…tudo numa sala lindíssima em tons de branco pérola e castanho suave… E onde tive a oportunidade de conhecer o senhor que irá fazer um Ganesh à minha medida. Esteve-me a explicar o sentido do Ganesh… excelente para termos connosco sempre que decidimos entrar numa nova fase da nossa vida. O meu Ganesh será feito de Rosa Quartz e pintado à mão… Estou ansiosa por ir buscá-lo.
Tenho ganho um grande interesse por joalharia e começo mesmo a pensar investir mais no conhecimento desta área.
Tem sido engraçado bastantes pessoas se dirigirem a mim e dizerem que sou idêntica a uma estrela de Bollywood chamada Kriti Reddy. Elogiam-me pelo meu aspecto indiano e o filho desse mesmo senhor da fábrica de jóias disse que eu era uma “Princesa Indiana abençoada pelas pedras”… eheh devem-se estar a rir desse lado… é estranha a forma como as pessoas cá se baseiam em coisas tão mais básicas como as pedras, a energia, o poder do sol, da chuva e da lua, para conseguirem encontrar formas de se expressarem…
Mas a mim começa-me a fazer muito mais sentido esta maneira de encarar as coisas do que como até hoje vivi. Sinto-me realmente aqui…a minha cabeça está aqui, a minha alma está aqui, estou totalmente entregue a cada experiência de cada dia e estou a sentir tudo da forma como as pessoas aqui sentem…
Apercebo-me agora do quão importante foi a preparação que fiz antes de vir para cá. Começar a desligar-me um pouco de coisas materiais, evitar comprar coisinhas desnecessárias, falar muito com pessoas sobre experiências diferentes, descobrir mais da Índia e de outros países do Mundo… Agora integrei-me muito mais facilmente.
Tivemos alguns problemas com algumas pessoas do grupo que não se estavam a conseguir adaptar…mas parece que finalmente a poeira assentou e estamos todos a caminhar para a frente. Tornou-se de alguma forma tão difícil para mim compreender o porquê destas pessoas não se estarem a conseguir adaptar…Mas agora percebo que cada um de nós vem aqui para conseguir lutar e ganhar forças em diferentes pontos pessoais.
Continuando com a história…Entre a fábrica têxtil e a fábrica de joalharia vivi um dos momentos mais intensos até agora…se não o MAIS intenso…
Ao sair da fábrica têxtil ouvi vindo da casa do lado uma música indiana..um senhor a cantar…senti um tipo de empurrão e uma vozinha a dizer “entra entra entra”… Tive para entrar umas 3 ou 4 vezes mas sem coragem… até que sugeri ao Bruno que viesse comigo…
Entrámos por um portão grande…lá dentro encontrámos um páteo com um pequeno templo no meio…e pessoas sentadas no chão desse páteo,todas a conviver, a cantar, a comerem… a olharem para nós e a cumprimentarem-nos com um “Namasté” e um baixar de cabeça convidando-nos para entrar… Sentia mesmo uma energia a empurrar-me para dentro daquele sítio… andámos até ao fim do páteo onde encontramos um outro pequeno templo, entrámos e convidaram-nos a sentir…mulheres lindíssimas, todas vestidas com cores lindas (uma das grandes características da India são as cores… cores lindas por todo o lado, que iluminam toda a sujidade e pó que fazem parte desta realidade). Com um grande sorriso, convidaram-nos a sentar… começaram a trazer comida para provarmos! Tão boaaaa! Provei das melhores coisas que alguma vez tinha provado até hoje. Um sabor único…caseiro… saboroso! Perguntei o que era aquela festa e se não havia problema de estarmos ali…disseram que era a celebração de uma deusa e que aquilo era tudo uma grande família! Uma família gigante não tem noção… pais, avós, filhos, netos, primos… e receberam-nos tão bem! Tivemos realmente sentados e a viver o momento com a comunidade indiana, a comer a comida deles, a conversar, a tentar saber um pouco mais sobre os seus deuses e os seus costumes…
Passado um bocado já estava todo o nosso grupo na festa indiana e ainda nos convidaram para passarmos lá na próxima Segunda-Feira outravez! O Raj conseguiu-nos proporcionar uma experiência única naquela tarde, esperando por nós em cada sítio onde íamos e explicando-nos um pouco de tudo. É excelente criar ligação com pessoas locais e perceber um pouco mais do “seu mundo”.
Visitámos também o Templo do Sol e o Templo dos Macacos! Nunca tinha visto tanto macaco junto! Macacos, cobras, ovelhas, camelos! Tudo num sítio só e à solta (menos as cobras que estavam guardadas pelos Encantadores de Cobras)!
No cimo do Templo dos Macacos está o Templo do Sol…uma vista linda sobre Jaipur. Vou tentar anexar foto a este post!
As monções entretanto também já se iniciaram… os indianos vêem a chuva como uma benção para limpar o passado.
Enfim…momentos únicos difíceis de explicar.
Relativamente ao trabalho, apenas na Segunda-Feira, dia 20 é que iniciarei o trabalho mesmo na ONG. Até agora surgiram alguns problemas e a ONG só esta disponível para nos receber a partir dessa data. Contudo, tenho-me mantido ocupada! A Taxila Business School, escola de negócios que está a apoiar financeiramente o nosso projecto, ofereceu-nos um Workshop com diploma no final sobre o comércio e o marketing na India. Obviamente aceitei para me ir mantendo ocupada e tem sido uma boa aprendizagem!
Pois é…tantas coisas para vos dizer e tão difícil para transmitir.
Venham à India…
Olhem nos olhos destas pessoas e sintam esta energia.
É única.
Vou-vos mantendo a par desta minha viagem*
Liguem-me e mandem msgs para 00919672916038